terça-feira, 29 de novembro de 2005

don't panic

Eu ainda deixo pra resolver as coisas que acho chatas em cima da hora.

Mas em frente a um prato de almoço como o que menos gosto primeiro.

Acho chato ter que resolver as coisas chatas sob pressão.

Deveria agir de maneira diferente e comer as chatices antes da sobremesa, hein, hein?

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

era uma vez

Quando as pessoas são muito inteligentes, a pressão cerebral é muito grande, já que há muita informação guardada e processada num espaço pequeno (na maioria das vezes) que é a caixa craniana, o que as faz produzir assim, com maior frequência e intensidade uma substância chamada remela...

... e soluço de duende cria miçanga.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

copyright

eu não escrevo pra mim

escrevo pra você que lê

e não vai deixar recado

escrevo pra você que chegou por acaso

e vai embora sem se despedir

escrevo também para os poucos que registram

escrevo pelo exercício da palavra

pelo pulsar do sentimento

pelo fazer adiar os porques do que não tenho

pela falta de sono

e pelo medo de não saber mais como...

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

heartache

Eu não sei cantar. Não tenho milhares de fãs no orkut. Não sei versar sobre os filósofos. Não sou linda. Não sou excêntrica. Não sei dar espaços. Não sei fazer nada de especial. Não sei fazer as coisas virarem ouro. Não sou a mocinha, sou a vilã. Eu levo as coisas mais a sério do que gostaria. Eu tenho medo. Não tenho dinheiro. Não tenho pretensão de participar de um reality show. Não serei cineasta. Não ensino criancinhas carentes. Não tenho paciência. Não sei fingir. Choro com mais freqüência que gostaria. Não amo direito. Não sou tudo na vida de uma pessoa. Fui abandonada inúmeras vezes. Magoada outras tantas. Enganada quase sempre. Eu não acredito no ser humano. Eu não sei falar uma segunda língua. Nunca saí do país. Não tenho histórias mirabolantes pra contar. Não sei tratar mal quem eu amo. A minha mãe não é maravilhosa. Não tenho um sotaque irresistível. Eu tenho mágoa. Não sou fina. Não escrevo lindamente. Eu durmo demais. Falo demais. Sinto demais. Penso de menos. Sou sensível. As vezes não sei se ainda acredito. Eu tenho vergonha. Não sou descolada. Não sei fazer streap-tease. Não tenho uma enorme confraria de amigos. Não sou criança. Sou doçólatra. Sou desconfiada. Pareço metida. Às vezes dirijo como o Sr. Volante. Muitas vezes acho motoristas pessoas estressadas. O meu carro não tem buzina. Neste exato momento a minha orelha direita está muito quente. Não sei onde você está agora. Falo sem pensar. Nunca fui sonho de consumo de homem algum. Fui uma adolescente feia. Fui uma criança gorducha. Não estou satisfeita com meu corpo. Faça o que eu digo não faça o que eu faço. E por favor, não me leve a sério, me leve pra casa.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

pare, olhe, escute

Talvez seja ridículo ter traumas, mas eu tenho.

Detesto as pessoas que amo longe de mim, pq tenho medo que elas nunca mais voltem. Talvez isso seja responsável pelo meu choro quando vejo uma despedida e quando me despeço.

Tantas pessoas foram e nunca mais voltaram que hoje isso me deixa doente, doente de verdade.

Elas foram mesmo tendo me prometido, me jurado, olhado nos meus olhos...

Talvez o meu choro fosse ainda maior hoje se eu tivesse lido as notícias da semana.

Eu sei, estou escrevendo frases soltas, mas talvez pq seja assim que esteja me sentindo, pausada. Tudo parado no ar, mas em movimento. Assim como quando acontece uma ventania e as folhas sobem, as saias sobem, alguns pingos de chuva já estão caindo, mas de repente tudo para como se alguém tivesse apertado pause no controle... e vc fica ali, aerado, sem saber bem o que pode acontecer... Mas tudo aquilo está em movimento, mesmo estando parado, pq eu estou em movimento.

Hoje eu olhei pra um bilhete de ônibus pregado num quadro de cortiça e me lembrei de umas palavras lidas com uma dedicatória no final e ouvi um som que diziar sim pro que eu gostaria que fosse não e então eu tive medo e tentei ser o mais natural possível mesmo sabendo que eu fui naturalmente discreta como um elefante e eu me senti mal por não acreditar que alguém pode algum dia não ir embora, mesmo eu duvidando disso!

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

relax mode [on] | pre-birthday #.05

Faltando menos de uma semana para as fatídicas 27 primaveras se completarem...

Sim, eu aprendo, demoro mas aprendo, principalmente apreendo, me deixo atravessar e por isso acabo sendo intensa, o que pode ser lindo, mas às vezes tende ao catastrófico.

Esta semana me rendeu bons e velhos aprendizados... velhos sim, aqueles que nunca se deve apagar do caderninho de “importante”, da lista de “rever”, “atenção” ou seja lá qual for a terminologia que te faça olhar de verdade aquela anotação.

“eu ando pelo mundo prestando atenção em coisas que não sei o nome”

Não eu não sei o nome dessa anotação, talvez seja um asterisco, uma crase, um circulo em volta de uma data desimportante, já que não é a tipografia do escrito que vai me dizer o que é pra ser feito, mas sim a minha lembrança de uma semana que quase não passou.

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

long september | pre-birthday #.04

Todos os anos eu fico feliz em setembro, com a desculpa de que é o mês do início da primavera, etc e tal. A verdade é que sempre gostei de setembro pq é o mês do meu aniversário e faço wishlists (vou sim publicar uma aqui, mesmo sem saber pra que) e junto os amigos pra comer bolo blá blá blá. Mas todo ano meus setembros, apesar das minhas insistentes tentativas de faze-lo um pré-aniversário feliz, são longos e repletos de surpresinhas amargas. Pensando sobre isso agora, o inferno astral seria uma maneira de compensar a suposta felicidade extra que vc tem no dia do teu aniversário? Se fosse assim este ano o mês nem deveria estar sendo tão cruel comigo como está, já que não há previsão, expectativa, nem grana pra nada de especial no danado do dia 28, que eu tanto adoro (e continuo adorando mesmo com todos os poréns) e como dizem, eu saio por aí espalhando aos quatro cantos a importância desta data. Mas é o mês em que faço aniversário não é? Talvez por isso ele venha recheado de coisinhas que me fazem aprender alguma lição, tentando olhar por um ângulo otimista da coisa, apesar de não ser o meu forte.

Pois bem, com ou sem chuva, com ou sem vento, com ou sem comemoração, com ou sem aprendizadinhos pseudo bons para mim, eu levanto um brinde ao mês mais perfumado do ano e um brinde ao dia 28 (o único número que é a soma dos seus divisores – cultura inútil para favorecer a data) e peço três vivas para os 27 setembros que já vivi e que pelo jeito ainda não me fizeram aprender muita coisa útil.

Muito grata.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

o espaço | pre-birthday #.03

O meu tamanho é uma medida engraçada.

As vezes sou grande demais, as vezes pequena demais, mas nunca sou do tamanho certo. Minha medida as vezes sobra em atenção e falta em lucidez. Sobra em emoção e falta em raciocínio. Sobra ressentimento e falta visão de futuro. Sobra opinião e falta atitude. Sobra tempo e falta espaço. Sobra medo e falta fé. Sobra querer e falta fazer. E nessa dança de juizo de valores de mim mesma, eu sempre sou demais e de menos. Nunca ando pelo caminho do meio e por isso nunca vou ser capaz de andar no caminho de ninguém além de única e exclusivamente o meu caminho, mesmo sem saber se pra ele eu sou gigante ou anã.

O que sei é que hoje, e eu ando apenas sabendo muito do hoje, o meu caminho sou eu, pequeniniiiinha, escondida entre as frestas das janelas e os buracos das fechaduras para ser imperceptível e enooooorme um tanto que meu caminhar ideal é pela madrugada, para não assustar os cidadãos comuns que a esta hora, já estarão dormindo o sono dos justos e de tamanho coerente.

sábado, 17 de setembro de 2005

i wish | pre-birthday #.02

Aí alguém fica bravo e resolve me mandar delicadamente para a China...

E não é que eu iria?

Tomar chá, muito chá. Tomar agulhadas, muitas agulhadas.

Praticar Tai Chi nas praças cheias de velhinhos animados, visitar os templos, descobrir o segredo daqueles rostos de pele tão lisa e olhar tão sereno... Ser tocada por cegos, beber água da fonte, me medicar com chá verde, mas... ah não, cavalo marinho de novo não, obrigada! (uma vez na vida já deve ser suficiente não é mesmo?). Deixar meus pés serem massageados e principalmente andar de bicicleta com um cestinho na frente e um belo chapéu de abas.

Talvez os olhinhos fechados sejam o reflexo de que eles não precisam muito de ver para crer, nem de ter muito pra viver.

E hoje, era exatamente disto que eu precisava.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

no começo era o verbo | pre-birthday #.01

Quando eu era criança a minha avó me fez uma saia sem suspensório e sem elástico e a bendita não caiu. Criança não tem cintura, mas eu tinha e a minha avó e minha mãe estufam o peito pra contar que elas sempre souberam que eu ia virar um violão, já que a minha tia por parte de pai dizia que eu ia ficar gorda, afinal eu era uma daquelas crianças roliçudíssimas com covinhas nas bochechas, nos cotovelos e nos joelhos e tinha dobras, muitas dobras pelo corpo: uma balofinha. Mas uma balofinha fashion, sempre com um sapato de cor diferente, uma fita no cabelo, pulseiras ou algo que dizia “essa daí tem mãe caprichosa”. E ela era mesmo... tanto que não deixava de colocar laços no meu cabelo nem quando eu era uma recém nascida bolinha careca, colava os tais com sabonete, um luxo ter lacinhos na cabeça mesmo sem ter cabelos, não acham? Mas minha infância não foi só glamour, sou temporão de três irmãos homens, portanto não gostava de vestir camisa, meu traje predileto pra andar de bicicleta, brincar de pique, queimada e inúmeras outras brincadeiras de rua era saia e colar; isso mesmo: uma saia e um colar no pescoço, nada de chinelos ou camisetas, pra que se meus irmãos não usavam? Ainda assim era um traje super feminino...

Este mês acrescento uma primavera às algumas que já carrego comigo. Inferno astral é pra isso neh? Retrospectiva e projeto de futuro. A hora das lembraças é sempre divertida, principalmente se tiver minha avó e seus milhões de decibéis pra delatar os acontecimentos...

Do futuro eu falo outra hora, afinal ainda tenho muitos dias até o fatídico dia 28.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

querendo voltar no tempo

Olhando pra luz do monitor me vem aquela pergunta: por que raios faço coisas que sei que são equivocadas?

Hoje é um dia chuvoso de setembro e ele poderia ser muito pior, poderia ser um triste dia chuvoso de setembro. Não digo que não amanheceu triste, amanheceu.

É triste quando se tem medo de ter quebrado aquele cristal de murano que caiu no teu colo quando você ainda chorava por ter perdido um anel de vidro.

É triste quando se vê que ele não quebrou, mas você ainda tem medo de te-lo rachado com seus berros de criança mimada que quer descobrir o que tem por trás do véu.

Oh cristal de murano, me deixa soprar pra parar de arder?

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

gosto

Aí eu respirei fundo e saí andando pelo sereno quente do meu futuro bairro e foi ali que me veio a clareza que eu posso fazer melhor do que estou fazendo, posso sim. Eu posso me despir dessa capa de autopiedade judaico-cristã que não me leva a lugar algum e olhar bem de frente o que é preciso ser feito, que é pra não ter dúvida nem medo do que está por vir.

Abri o peito e o sorriso de quem já está mais feliz desde então.

Eu tenho a melhor companhia que se pode querer em horas de muitos sonhos.

Das coisas que ficam, não tenho dúvida, ele é a melhor de todas.

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

fly another day

Então eu me sinto a mosca do cocô do cavalo do bandido. Ou seja, ainda me resta a esperança de voar para as padarias vizinhas atrás de quindins e sonhos, principalmente sonhos. Um vento a favor ajudaria, mas uma mosca não prima pela inteligência, então usa o vento contra si e cai numa poça de suco de cajú misturada com lama. E agora? Quem poderá me defender?

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

just try it on

Frio, sono e fome de doces.

Essas andam sendo as minhas mais comuns e insistentes necessidades físicas.

Mais até do que minhas vontades de praticar loucamente e de cuidar das celulites, pq isso já está bem misturado com bem estar psicológico.

Sabe, eu não tenho nada pra dizer. Ou tenho tanta coisa que me causa pesar escolher apenas uma delas pra desenvolver aqui e não sei se é exatamente isso que eu vou fazer, só vou falar e falar, assim despretenciosamente, do jeito que o Felipe aconselhou. (à propósito, visitem o Felipe, garanto que ele escreve sobre nada muito melhor do que eu).

Hoje eu sou muito melhor do que eu era, não fisicamente por favor.

E eu tenho completa noção do quanto essa frase é peigas e medíocre e lugar comum e blablablá, mas eu não ligo. Talvez a algum tempo atrás eu ligasse e jamais publicasse ela em meu blog pessoal, mas hoje eu não ligo e isso me prova exatamente o que eu disse no começo da frase: Hoje eu sou muito melhor do que eu era, não fisicamente por favor.

Mas mesmo sendo assim melhor, mais legal, mais compreensiva, mais desencanada e mais uma pancada de palavras que também são pra lá de calejadas, eu continuo sem saber como fazer.

Continuo sem saber como ligar pra aquela amiga de infância que noivou e nunca mais me ligou, mas ela nunca ligava mesmo, era minha essa tarefa, só que eu sumi. Continuo sem saber como não me sentir culpada por não estar trabalhando mais, ganhando mais, me esforçando mais. Continuo sem saber como lidar com o silêncio e com a tristesa dos outros. Sem saber olhar no espelho e acreditar que não sou tão ruim quanto acredito ser. Continuo sem saber o que fazer quando quero colocar um sorriso no rosto de quem mais amo.

Bem, abre-se em frente à tela um leque de possibilidades para desfiar o resto desse não-assunto. Mas eu não vou me arriscar, por hoje está bom, afinal eu já dormi bastante sob um cobertor quentinho e já comi uma colher lotada de brigadeiro. Amanhã eu tento denovo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Eu não idolatro nem os gurus mais iluminados e sábios,
depois de tantas pancadas na cabeça eu sequer saberia.
Não, não tenha medo, é só um vendaval de quase solstício de primavera, ele passa, eu não.
Eu apenas sei dar valor ao que tenho.
Eu tenho medo de expor isso, mas hoje eu tive vontade de dizer o quanto é singular ter te encontrado exatamente quando estava pronta pra que acontecesse.
Eu não acho que posso apenas aprender com você, eu sei que é troca e eu tenho sempre algo a acrescentar, mesmo que eventualmente não ache relevante.
E às vezes eu confio tanto! E outras vezes tenho tantos pés atrás...
Foi com você que descobri que perfeito é o que tem os defeitos nos lugares certos.
e é assim que sinto: nosso ritmo, nossa dança, nossas estações, nossos planos, nós dois juntos!

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Ciclo Vicioso

Ando cheia de medo
Porque acredito na destruição
E por isso
Viro um instrumento dela
Ela me move
E me faz morrer todo dia
Eu tenho medo
Tenho medo de mim.

terça-feira, 26 de julho de 2005

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Mau™ diz:
ah.. normal! você é uma ACHONA! Rs

.ni. ® diz:
Uhuhuhuhuh

.ni. ® diz:
é mesmo

.ni. ® diz:
Achuda

.ni. ® diz:
Achenta

.ni. ® diz:
Achonilda

.ni. ® diz:
Achivística

Mau™ diz:
Achosa

.ni. ® diz:
Achada

Mau™ diz:
é! EU achei

Mau™ diz:
tava assim perdida na rua

.ni. ® diz:
Isso

.ni. ® diz:
Assim

.ni. ® diz:
Cabisbaixa

.ni. ® diz:
com cara de cabeça que caiu da mudança

Mau™ diz:
Ée

Mau™ diz:
assim mesmo

.ni. ® diz:
Ihihihihi

Mau™ diz:
aí eu levei pra casa e perguntei assim: "Mãe! olha o que eu achei na rua... posso ficar com ela!?!"

terça-feira, 19 de julho de 2005

| rito de passagem |

Eu devo ter sido uma criança-porquê. Aquelas que não deixam sequer a frase terminar pra saber o significado das coisas... E se eu sou uma criatura chata, devia ser uma criança ainda pior... Eu tenho sede de quem amo, sem saber que água demais afoga... Eu empino os meus porquês até hoje, sem perceber que já não sou mais criança... Os meus porquês não são mais bonitinhos, não são mais “deixa ela”, não são mais descoberta saudável... Eles incomodam, eles me incomodam fazendo quem amo se sentir desrespeitado... A vida não precisa ser explicada e eu fico querendo explicações... E sei olhar nos olhos, sei ler o corpo, sei perceber os fatos e mesmo assim o medo me empurra a voltar aos cinco anos e dizer, “me explica?”.
Eu devo desculpas a todos que um dia ouviram essa fatídica pergunta de mim e devo desculpas principalmente a mim por ter me boicotado durante todos os anos dos quais consigo me lembrar.
Um dia de cada vez...

sexta-feira, 15 de julho de 2005

|herança|

Ontem à noite meu álbum de formatura estava sobre a mesa da sala, ele me chamou, mas eu não tinha tempo hábil pra abri-lo. É eu ando sem tempo, eu tenho dois ofícios e não deixo nenhum deles... Mas sabe, hoje quando acordei pra trabalhar (novamente) ele ainda estava lá... e ele olhou pra mim como que dizendo: “vem, eu to com saudade do teu toque e tenho umas coisinhas pra te dizer.” E eu fui hipnotizada como mariposa para a luz.
Sentei no sofá como se não tivesse horário e voltei no tempo, tantos sentimentos misturados, os que tenho agora com os que tinha na época, que nem é tão remota assim... Eu olhei para mim, para minha família e claro, reparei na minha pele, meu cabelo, minhas unhas... Mas alguma coisa naquelas imagens me dizia mais... E então olhei para os meus olhos, para o meu sorriso e eu estava feliz, apesar de assustada. Eu estava diferente, apesar de igual. Estava corajosa, apesar de relutante. Estava verdadeira, apesar de escondida.
E hoje, olhando para aquele passado recente, eu quis arrancar algumas páginas [como posso fazer isso? Levo em algum lugar que faça álbuns blábláblá]... Meu sorriso e principalmente meus olhos são diferentes dependendo da companhia em cada foto (e deve ser por isso que sou louca por fotos, elas me dizem muita coisa). A minha participação na formatura foi intensa, cantei, fiz discurso, ajudei a elaborar quase tudo... Sim, eu sou intensa; uma intensajunkie sempre em busca do zen... Mas estou desviando do assunto, como faço na terapia quando se trata de algo difícil de lembrar ou falar...
Eu dizia que quis arrancar algumas páginas do meu álbum de formatura... Não, eu não as tirei por mim mesma, tenho elevado apreço (ou seria apego?) ao álbum para fazer isso... mas eu cheguei a procurar parafusos e buracos para saber se não era tão trabalhoso quanto imaginava... E continuei me olhando, olhando os outros, catando cada pedaço de lembrança esfarrapada que aparecia na minha cabecinha de borboleta. As páginas foram passando e eu descobri naqueles poucos minutos que não é tão fácil assim arrancar lembranças... Elas estão enlaçadas com outras das quais não quero me desfazer.
Quero me desfazer da existência daquele cara amargo, mas não da irmã dele que acabou sendo minha irmã e que eu amo tanto e que está junto conosco na foto... Quero esquecer daquela felicidade ao lado de um falso amor, mas não do orgulho de ter meus melhores e mais fiéis amigos ao lado na mesma imagem... Quero apagar da lembrança o olhar apaixonado do menino, mas não os olhos com orgulho de mim da mama... Tantas escolhas, idas e vindas, decisões, felicidade e tristeza passaram por mim em menos de dez minutos... e então eu me lembrei docemente (e com um sorrisinho de quem ama quase tudo que ele diz) das palavras no namorado, dizendo que não há como tirar as pessoas da nossa vida [infelizmente?] e que eu não pedisse que ele fizesse isso... Hoje [não sei por quanto tempo] eu entendi isso...

quarta-feira, 6 de julho de 2005

| |

Em dias como o de hoje
se eu pudesse,
ficava trancada no meu quarto
escondida entre o cobertor e os travesseiros
telefones desligados
o blackout bem grudado nas paredes
os olhos bem cerrados
só fingindo que estou morta...
se é que ainda não estou.

terça-feira, 5 de julho de 2005

| ele |

Hoje é dia de medo.
É dia de olhar pro lado e não ter certeza se o terreno é firme, se você é firme o suficiente para enfrentar uma possível areia movediça;
se o nó que mora na garganta vai te deixar respirar o suficiente até o final.
Dia de fantasmas nada camaradas uivando na janela do quarto.
Dia de matar um leão por hora, os leões que moram na imaginação da criança, a criança que mora dentro de você, que um dia ficou presa num quarto escuro e nunca mais conseguiu acreditar na claridade, mesmo quando todo mundo diz que ela existe.
Hoje é dia de fungar, de mastigar chicle de mágoas, e não engolir, não engolir, nunca engolir...
Dia de pensar naquela pessoa que te incomoda, de saber que ela existe, ela existe, elaS existem sim! Não as mate em teus pensamentos, nem vire as costas, elas precisam ser encaradas profundamente, junto com tua dor, tua raiva, teu ressentimento, teus medos, tuas dúvidas, angústias, teu passado, teu futuro...
Hoje é dia de medo.
Porque é preciso muita coragem para sentir medo.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

| objetiva |

E hoje eu falaria sobre as escolhas...
Falaria sobre meu final de semana e faria um paralelo entre a qualidade dele e as minhas escolhas (ou as escolhas que eu acho que são minhas), diria que falei mais do que devia, me sensibilizei mais do que queria, reclamei mais do que faria, reagi como não gostaria...
E terminaria o post com a frase:
Será que é mesmo uma questão de escolha?!?
Só que eu não faria isso tão bem quanto a Sammy fez...

sexta-feira, 24 de junho de 2005

| miúda |

Depois que a gente cresce nada mais a gente ganha, nada mais é de graça. Os favores, os agrados, os presentes, os afagos... Ou seja, o tanto de presentes é inversamente proporcional à tua idade, ou seria ao teu tamanho? Talvez seja por isso que não cheguei ao 1,60m, talvez seja por isso que eu continue sendo a meninapreta, a pequenadosolhosgrandes... Talvez seja porque sou a caçula daquele bando de marmanjos superprotetores. Ou talvez eu seja assim porque encontrei muita gente boa que soube e quis pegar na minha mão e me ajudar a dar passos maiores que minhas pernas curtinhas. Eles são meu presente, todo dia.

quarta-feira, 15 de junho de 2005

| sob o sol de um Curupira |

Aí ela resolve depois de um longo e tenebroso inverno (aproximadamente dois meses) sem grana para consertar a impressora que estava fazendo falta, levar a bendita...

Ela: " Moça, ela não imprime de jeito nenhum. O computador manda a informação e quando ela vai começar, trava, como se estivesse sem papel."
A moça da loja: ' hmmm (futuca um pouco)... tem uma pecinha solta aqui dentro, talvez seja isso. (e entrega uma peça estranha arredondada para a dona da máquina). Mas de qualquer maneira vou fazer os testes e te dou um retorno, qual é o teu telefone? (...)'

Ela chega em casa e mostra para a mãe aquele objeto não identificado e explica o acontecido...
Triiimmm, triiimmmm....
Ela: "alô"...
A moça da loja: 'senhorita, estamos ligando para dizer que tua impressora funciona perfeitamente e que o máximo que faremos se a srta. quiser, será dar uma limpeza de manutenção blablablá...'

Ah, então as suspeitas da avó da baixinha estavam certas, a moça da loja havia tirado de dentro das profundezas de uma velha e calejada HP o nariz sumido do urso de pelúcia do irmão que sequer mora mais em casa, mas cuja filha gosta de brincar de garagem com o buraco da tal máquina de imprimir os trabalhos da titia.
Ela só não imaginava que nariz de bicho de pelúcia era algo "estacionável".

segunda-feira, 13 de junho de 2005

| nosso |

Um friozinho gostoso encarado para o encontro com toalhas de banho: um encontro árduo, já que elas insistiam em se esconder o mais perto possível. Eu não liguei e continuei procurando: apesar de não ter amor no coração, tenho esperança e foi ela que trouxe as benditas fujonas. O mantra para Ganesha entoado mentalmente que acabou abrindo a porta, mesmo que a do andar de cima. Preguiça de ter coragem pra tirar a roupa e entrar na ducha forte e fervendo, mas só até quase ver o fundo da garrafa de vinho. Nenhuma vontade de emergir da banheira cheia de água quentona e sem poluição que limpa a pele e deixa o cabelo macio além do teor alcoólico no sangue muito maior. Superalimentação corporal e energética. Bis, Calvino, vinho, cobertor, meia, cosquinhas, gargalhadas, presentes, amizade, scrabble, companheirismo, preguiça, disposição, dois. Dormir e acordar e continuar sonhando. Papos-cabeça, papos-suvaco, papos de todas as naturezas, torcida para o Rubinho, medir a temperatura e esquecer. Não olhar o relógio. Brincar de casinha e querer continuar brincando e pensar em como vai ser daqui a muito tempo. Fazer perguntas sem medo de ouvir a resposta e se a resposta não for a esperada, confiar e agradecer pela honestidade. Acordar e continuar na cama. As curvas que praticamente não me enjoaram. Brindes, fazer uma amiga feliz e ficar feliz, telefonema de “deixaela”, o brilho no teu olho, o brilho no meu olho. Tudo isso e ainda faltou falar de tantas coisas, faltaram tantas palavras, mesmo que nem todas elas fossem explicar absolutamente nada (este texto nem está claro para mais ninguém além de nós). Mas com ou sem palavras, todas essas palavras, ainda assim é incrivelmente encantador estar lado a lado, estar ao seu lado.
A impermanência me causa medo sim, mas é por ela e por nós que vou continuar buscando fazer dos dias sempre os melhores dias.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

| tome fôlego |

seismeses+diadosnamorados+resfriado+irprofrio+vinho+batidinhadecajádoceará
+matarauladosábado+meupretosuvacoamoradoscrocantemaismelhordibão
desseuniversointeirinhogarúchatobarbosaecastroemuitomau
+euchatapuccatoadpickachucabeçagondorminhocasilvatellesemuitodê
+almoçofora+expectativa+muitospresentes+cobertor+cafédamanhãempadaria
+música+joguinhos+caloriascaloriascalorias=meufinaldesemana

terça-feira, 7 de junho de 2005

| versus |

Ela algum dia apareceria se eu não tivesse morrido?
Ela buscaria conhecimentos se eu não tivesse ficado louca?
Ela seria uma pessoa melhor se eu não tivesse perdido a vontade de viver?
Ela se descobriria cada dia mais se eu não tivesse deixado de comer?
Ela terá sonhos felizes se eu não tiver pesadelos?
Ela acreditará no amor se eu não me decepcionar?
Ela estará satisfeita se eu não me frustrar?
Ela manterá contato com as amigas se eu não apanhar?
Ela teria algum sucesso se eu não me boicotasse?
Ela respiraria se não me faltasse o ar?
Ela respirará se eu não sufocar?
Ela seria diferente se eu não derramasse lágrimas de medo da mudança?
Ela saberia perder se eu tivesse ganhado?
Ela sorriria se eu não desconfiasse de todos?
Ela respeitaria se eu não tivesse sido humilhada?
Ela suspeita que minha morte é responsável por seus melhores dias?
Ela imagina que uma louca pode ter plantado as flores do seu jardim?
Ela se alimenta do que eu nunca ingeri?
Ela algum dia apareceria se eu não tivesse morrido?
E finalmente...
Ela e eu algum dia chegaremos a nos encontrar pacificamente?

sexta-feira, 3 de junho de 2005

| sobre meninas e elefantas |


E então algumas fichas caindo e eu nem estou perdendo o jogo, estou ganhando [isso pode apenas depender do referencial de quem vê].
Conjecturas sobre a direção oposta em que trabalham Zen e Caos. Sim, eles se utilizam de vetores que vão em sentidos contrários, mas acabam incrivelmente levando ao mesmo lugar: a iluminação.
E a caminhada vai acontecendo mesmo que tão lenta que não percebamos ou mesmo que tão rápida que dê a impressão de andar para trás, como as rodas dos carros, sabe?
E tudo vai indo diferentemente bem, vou deixando para trás aqueles estereótipos que eu jurava que não tinha, revendo conceitos, fazendo de outro jeito sem nem mesmo perceber: o cabelo já não é mais nem um pouco estático, as escolhas sentimentais cada vez mais saudáveis, a lucidez vai e volta de acordo com os cisos que teimam em aparecer e aí eu deito na minha cama com o quarto completamente escuro por causa do novo blackout e me lembro que tenho medo de escuro, ou tinha? Não deu tempo de descobrir, dormi.
O caos só não foi muito amigo na hora de me fazer acreditar que quando o celular tocou ainda estava de noite...

segunda-feira, 30 de maio de 2005

| inspiração |

. essa vida "base de hierarquia escravocrata" anda acabando com meu tempo para filosofar o infilosofável e o previsível .
. um feriado chuvoso e muitos dvd's alugados .
. o zen se fazendo presente .
. nem a tempestade de raios inspirou .
. afinal... a TPM já tinha passado .

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Este documento não contém nenhuma informação.
Este dia não inclui nenhuma função.
Esta cabeça não possui nenhuma inspiração.

sexta-feira, 20 de maio de 2005

| fórum |

Pelos poderes a mim concedidos pelas leis da biologia, fenomenologia, estratégia de marketing e logística ayurvêdica, de acordo com o artigo 24 da lei de exibição de imagem escravocrata virtual da internet e com a declaração dos direitos da pré-TPM adquirida: declaro para fins de salubridade nacional e internacional a minha insuportabilidade geral irrestrita e conseqüente obrigação de conceder férias não-remuneradas aos que compartilham desta ilustre, mas mal compreendida companhia indesejável. É com imensa tristeza e embargo na voz que baseada na lei de propriedade mórbida autoral, concluo a não relevância para o caso de férias à autora deste artigo, sendo esta é a presidente da casa, mas planejando a futura emenda que retificará esta em favor da convivência harmônica de ambas.

terça-feira, 17 de maio de 2005

| to be continued |


O ar de espontaneidade dela não tira a importância do ato: eles estão dando um passo real. Ele finge que não concorda e não propôs uma comemoração e pra ela qualquer coisa é motivo para comemorar, “até porque eles não vão ter nada muito ortodoxo mesmo!”
Nem um pouco ortodoxo: vão ter um ministro pederasta tocador de bateria, padrinhos ensandecidos por Heineken falando dos últimos lançamentos de jogos online, convidados desenhando caricaturas em guardanapos de papel, outros discutindo a qualidade do acabamento da varanda (com as vistas já comprometidas pelo teor alcoólico no sangue), comidinhas vegê ao lado de calabresas apimentadas, primas que se beijam na boca pra distribuir batón, gente fingindo que está fantasiado, outros impossíveis de serem reconhecidos e bipolares em dia de ótimo humor. Gente falando de filosofia, as feiticeiras do sabah comentando como ela consegue ter várias profissões, gente falando mal de novela, discurso sobre as últimas aprontadas dos caras engraçados do estúdio e falando como eles dois são legais juntos, mesmo ainda lembrando daquela antiga namorada dele que tinha a voz bonita e do namorado com quem ela gastou a adolescência, mas que não merecia nem um olá.
Ela talvez vá continuar perguntando coisas e ele talvez continue não querendo responder. Ele provavelmente vai continuar reservado e ela eventualmente estará acostumada com isso. Ela cada vez mais vai querer achar as respostas pra tudo e ele vai ter sempre a simplicidade ao seu lado. Às vezes eles terão respostas. Ela quer ter um apelido novo a cada semana. Ele quer não se esquecer da mega-sena acumulada. Eles querem continuar gargalhando, continuar em silêncio, continuar nadando, lembrando e esquecendo, continuar tocando e cantando. Guardando o outro a cada respiro, cuidando a cada desvio. Dialogando com o caos e fazendo dele um parceiro. Mudando pra continuar, continuando pra mudar. Implicando porque são irmãos, conversando porque são amigos, acusando porque são família, apoiando porque companheiros, acariciando porque são amados, atiçando porque desejados... e acrescentando frases a essa história todos os dias...

terça-feira, 10 de maio de 2005

Sim, é lugar comum falar das diversidades encontradas aqui nas nossas áreas tupiniquins, mas isso me diverte muito. Não, não me diverte divagar sobre as diversidades, me diverte vê-las! Hoje eu e minha mãe precisávamos comprar um trilho para a cortina do meu quarto, que ainda não existe, mas já precisa que se gaste com ela. Então nos dirigimos a uma das grandes lojas de material de construção da Avenida Leitão da Silva (famosa por ter tudo que se precisa neste ramo), mas lá eles não cortavam do tamanho que precisávamos. “Vai do outro lado da rua, lá vocês conseguem”, disse o rapaz uniformizado, de banho tomado na loja com ar condicionado. E pra lá fomos. Uma loja mais simples bem em frente à outra, com rapazes também uniformizados, mas sem ar-condicionado, só que nessa não tinha o trilho que precisávamos. “Aqui do lado você vai encontrar” disse o rapaz com o cabelo raspado e uma faixa raspada mais funda como se tivesse penteado o cabelo de lado. Então dobramos a esquina e alguma coisa me dizia que aquilo ia ser divertido. Encontramos uma pequena loja com duas pequenas portas. Mas ela não era divertida porque ela tinha duas pequenas portas (obviamente. Ou não?), mas pela quantidade de coisa que se comercializava ali. Logo que entramos um moço passa (quase pula) na nossa frente para ser atendido pelo rapaz meio sujo e com o meio dos dentes da frente estragados, esse moço tinha um odor ruim (como é que se escreve cecê?) e logo depois que ele tirou todas as dúvidas sobre o xadrez e a massa e saiu sem comprar nem anotar nada, o rapaz perguntou do que precisávamos. Enquanto ele ia buscar nosso simples, mas difícil, trilho duplo para cortina, lá nos fundos, eu abri bem os olhos e deixei aquele lugar entrar na minha memória, porque era incrivelmente incomum e ao mesmo tempo incrivelmente possível! Na bancada de borracha comida nas laterais ficavam calculadoras, papéis, trenas e uma balança de frutas (!). Isso, na loja de materiais de construção eram vendidas laranjas e melancias, que estavam no chão logo ao lado do vaso sanitário avulso; as dúzias de ovos ficavam encostadas no vidro que protegia os pregos e sobre um tubo enorme de PVC para esgoto; as bananas perto dos puxadores; as maçãs embaixo dos banquinhos que serviam de pés para um armário fechado que era base para os pilões, travessas, colheres e outras coisas de madeira; e penduradas na parede em cima das propagandas de tintas e chuveiros, várias cores e variedades de pipas. Ainda consegui descobrir banquinhos de madeira por um precinho legal pra minha futura casa! Ajudei o menino dos dentes ruins a serrar o trilho (porque o cliente pode ter ou não razão e pode ajudar no serviço, se ele for legal, que é o meu caso). Pagamos por dois metros tendo comprado um e setenta e cinco, já que aqueles outros vinte e cinco centímetros não iam servir de nada pra ele, apesar de isso não ter sido avisado antes (sabe como é: o cliente é esperto!). Esperamos o troco enquanto contávamos quantos modelos de gaiolas se penduravam sobre nossas cabeças e comíamos uma banana (cortesia da casa). Mas minha mãe não levou ovos, porque o preço não estava nada bom!

sexta-feira, 6 de maio de 2005

| chocalho's day |


Comigo
(Zeca Baleiro)

.
você vai comigo aonde eu for
você vai bem se vem comigo
serei teu amigo e teu bem
fica bem mais fica só comigo
quando o sol se vai a lua amarela
fica colada no céu cheio de estrela
se essa lua fosse minha
ninguém chegava perto dela
a não ser eu e você

ah, eu pagava pra ver
nós dois no cavalo de ogum

nós juntos parecendo um
na lua na rua na nasa em casa
brasa da boca de um dragão
na lua na rua na nasa em casa
brasa da boca de um dragão

.


http://cartasnamesa.blogspot.com
http://dascoisasqueficam.blogspot.com
www.fotolog.net/meninapreta
www.fotolog.net/mrmaumau

terça-feira, 3 de maio de 2005

| apnéia |

um dia acaba o ar
de tanto que o ar me falta
e eu
a de sempre
a mais que manjada
vou pra não mais voltar.

porque qualquer pingo de chuva
que cai e embaça os óculos escuros que não tiro
qualquer lágrima salgada ou doce
que escorre inchando o meu nariz agora sem piercing
nada mais é do que o eco dos medos
que sem querer
mesmo cercados de alegrias várias
vão virando um mato alto e verde
e sem querer
eu rego e podo
mas sem matar.

um dia acaba o ar
de tanto que o ar me sufoca
e eu
a de sempre
a mais que irrelevante
atravesso o portal pra terra do nunca.

quinta-feira, 28 de abril de 2005

| aquela de quem não falamos |

um grito que não saiu
assim é esse aperto aqui bem no meu do meu peito
e ele ficou tanto tempo guardado que agora esta misturado com muita dor
com muita mágoa, com muito medo
e então as vezes a pontinha disso tudo resolve burlar a parede da armadura
e nem todo choro do mundo me tira essa angústia
ela já virou aquele maldito medo
daquele maldito distúrbio
que me transformou em outra pessoa
que me transformou no que nunca quis ser...

quarta-feira, 20 de abril de 2005

| donamilú |

Sim, me falta mistério.
e se me falta mistério, me falta encanto?
e se me falta encanto, me falta admiração?
e se me falta admiração, me falta confiança?
e se me falta confiança, me falta amizade?
e se me falta amizade, me falta amor?

quantas vezes ainda vou me perguntar o motivo de não saber esconder nada?
eu não tenho algo só meu.
eu não tenho nada a esconder, nada a declarar.
As antigas jovens senhoras dizem que isso me torna desinteressante, me torna de fácil leitura e que consequentemente não me permite ter pessoas por muito tempo perto de mim...
E eu fico esquecida disso até que percebo o mistério de quem me cerca (como eles conseguem?) e aí me questiono o verdadeiro valor de ter algo a não dizer, mesmo que seja banal, mesmo que não seja nada, mesmo que não tenha explicação...

eu quero ser a Mulher Maravilha não é mesmo?
linda, inteligente e principalmente perfeita!
Pois até mesmo ela tem uma identidade secreta...
ou não tem?
Todo Super-Herói tem!
...
Mas quer saber?
quando eu descobrir
eu não vou contar!!!

quinta-feira, 14 de abril de 2005

570

Novos horizontes se abrem em frente à janela.
Ou será que é a janela que anda mudando de ares?
o tempo de espera, o tempo de semeio, o tempo de espera, o tempo de colheira, o tempo de espera, o tempo de semeio, o tempo de espera, o tempo...
Esse invisível enorme amigo odiado, sempre surge mostrando que pode ser o mais puro veneno que salva, em pequenas e grandes doses, quase tudo!
As cartas não mentiram.
É preciso jogar o jogo, apesar de ter receio dele.
É preciso sobreviver aos ciclos e não duvidar de sua força.
Os horizontes passam e já não somos mais os mesmos depois de sentir os ventos que eles trazem tocando o rosto...
e então não foi a janela que mudou de ares, mas o meu rosto que foi tocado de maneiras diferentes, abrindo e fechando ciclos, abrindo e fechando ciclos...

quinta-feira, 7 de abril de 2005

| tempero |

Bate um vento na minha janela com cheiro de manjericão fresco
todas as tardes, manjericão fresco no ar...
Dias cinzentos, dias chuvosos, dias ensolarados
o cheiro não se importa nem com meu estado de espírito:
janela adentro, nariz e um bem estar inexplicável.
Manjericão é a minha cara: se espalha com muita rapidez, gosta de sol, de água, de atenção, é pequeno, nem feio nem lindo, mas com cheiro e sabor marcantes, inconfundíveis.
E sem me importar com as previsões meteriológicas, ou se sou bem vinda ou não, sou capaz de chegar com uma rajada de vento e resolver te visitar todos os dias...
E te fazer descobrir que manjericão é delicioso!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2005

| andar com fé |

Andar sem palavras é normal para quem anda cheio de planos.
Os planos vagam entre a linha do racional e do emocional e por isso nem inteligência nem paixão são capazes de explicar bem...
Planos são sonhos no papel, vontade na veia, contas na cabeça.

Ando sem letras suficientes no meu teclado para explicar.
Por ser novo, por ser mais real do que jamais imaginei.
Mas ainda são planos.
E planos devem ser guardados, até se realizarem e vc poder soltar aquele grito entalado na garganta.

segunda-feira, 21 de março de 2005

| secret stupid post |

| falta | subst. fem. 1. Ato ou efeito de faltar. 2. Privação. 3. Ausência (2). 4. Culpa. 5. Erro (4). 6. Esport. Transgressão das regras de um jogo ou esporte.

.sendo assim.:.

."ainda faz falta" =

1. ainda faz o efeito de faltar?

2. ainda traz privação?
3. ainda está ausente?
4. ainda é culpado?
5. ainda comete erros?
6. ainda transgride as regras do jogo?

terça-feira, 15 de março de 2005

Once Upon a Time...

Essa é a história de uma menina que aprendeu apanhando.|

Seus pais nunca encostaram um dedo sequer nela, mas tomaram atitudes que conseguiram ser de muito mais violência: mentiram, fingiram, esconderam, enganaram.
Então desde cedo esse pequeno ser aprendeu que ninguém é confiável. Mesmo a pessoa mais querida é capaz de te prometer algo e nunca, nunca cumprir.
Então essa menina passou a não mais acreditar quando sua mãe dizia que ela era inteligente, ou quando seu pai jurava que ela estava linda, nem quando o mago dizia que era possível ver através do tempo, ou mesmo quando um coleguinha da escola contava uma história mirabolante – e de dar inveja – que havia acontecido no verão.
E assim a menina cresceu duvidando até de si própria.
Duvidando do espelho que mostrava que ela não estava tão gorda quanto pensava estar – "pode ser daqueles espelhos de efeito."
E agora? Quem poderá defende-la?
Ela até teria chance de se tornar alguém mais confiante se não tivesse encontrado pela frente um grande "primeiro amor" que além de frio, era céptico. Então ele também não acreditava no que lhe diziam e não acreditou quando ela lhe disse que estava morrendo. Não estava, mas acreditava que estava, e era uma das poucas certezas que a pequena tinha todos os dias, provavelmente a única.
Ele apelidou de "chilique" algo que não era tão simples assim.
E o grande "amor" morreu junto com a adolescência dela.|

Mais um Round: medo.
Ela andava sozinha, pq mesmo cercada de amigos eles não sabiam o que ia no mais íntimo de sua alma: ela estava morrendo. Ela morria todo dia várias vezes e isso só piorava. Morria de alergia, morria de tristeza, morria engasgada, morria por morrer mesmo. Estava sempre morrendo. E morrer dá uma canseira! Então era apenas um personagem fantasma que jamais foi realmente feliz ao lado daqueles pretensos amigos.
Mais uma tentativa. E a menina encontra um rebento. Sem saber bem o que fazer, ela resolve ficar com ele e ele é capaz por um tempo de faze-la acreditar que poderia voltar a creditar. Pobre menina, mais uma vez enganada pela esperança de não se enganar... A vida então ensina, batendo. E ela mais uma vez tomou umas da respeitada Sra. Vida.
O rebento abandona o barco mesmo antes dele afundar e mais tarde ela descobre que de perdedores sua vida já esteve lotada e até fica feliz por não ser responsável por mais aquela derrota.

Novo Round intermediário: perdas.
Se ela já tinha poucos em quem confiar, menos foram ficando. Barcos iam partindo no cais até que nada mais lhe restava além de chorar balançando um pequeno lenço branco.|

Foi aí que surgiu um cavaleiro.
Um cavaleiro com olhos de caramelo.
Mas a pequena estava com muitas lágrimas nos olhos e muitos calos de tantas mortes nas mãos para novamente acreditar que seria possível um final feliz.
(...)
Ela anda tentando afinal sumir com as marcas, anda querendo guardar os lenços e acreditar nos espelhos. Mas pode levar algum tempo.
E ela teme que o cavaleiro não possa esperar.

domingo, 13 de março de 2005

| alma de sol |

.pq já não dá mais para tentar maturidade.
.quando se trata de perde-lo.
.pq quando sobe a maré.
.diminui a extensão de areia.
.e eu fico aqui.
.com medo de ser engolida.
.por sereias que resolvem voltar pra rever suas praias.
.pq quando uma nuvem se aproxima.
.e eu ainda pretendo me abastecer de luz do sol.
.meu coração se aperta.
.eu fico pesarosa.
.eu queria meu raio de sol pra sempre.
.eu queria o caramelo dos seus olhos.
.uma maré mansa.
.uma brisa que não tráz ventos de Mares antes navegados.
.numa tarde de outono...

quinta-feira, 10 de março de 2005

| os ares |

.abro o bloco de notas. penso. elucubro idéias...
.lembro de post maravilhosos de amigos. futuco as cutículas.
.como seria motivo de orgulho pra mim se fosse capaz de escrever realmente bem!.
.e soubesse disso. como seria!. |
.o cheiro de tinta está forte, talvez embaralhando minhas idéias.
.ou mais provavelmente minhas idéias já sejam mesmo embaralhadas. como meu cabelo.
.ou mal feitas. como minhas unhas.
.ou talvez eu as tenha vergonha de mostrar como elas são. como eu mesma.
.com receio de que não sejam as mesmas idéias da mulher maravilha.
.como eu gostaria que fossem.

.penso mais um pouco... |
.o ventilador balança a cortina improvisada.
.eu poderia falar disso de maneira tão poética...
.não, vai ficar ruim.
.ah, eu poderia falar sobre os 90 dias, completados hoje. imagina...
.eu gastaria a tarde inteira e nem em dez mil palavras expressaria o que sinto.
.ah eu poderia escrever sobre o quanto gosto de cantar, ou dançar, ou...
.sei lá. tomar sorvete!!!
.não, não seria tão competente como...
.não seria tão bonito quanto...
.não seria tão espontâneo...
.não seria tão fluente...
.não seria tão coerente...
.raios!.
.existe algum remédio para extra-auto-crítica-aguda? |
.nem mesmo esse texto eu sei se devo publicar.
.mas eu vou tentando.
.até que um dia eu aprendo.

quarta-feira, 9 de março de 2005

| corro demais |

eu não levo desaforo pra casa
não, não levo.
eu não aceito culpa do que não fiz
não, não aceito.
eu não gosto de mim
não, não gosto
e também não finjo que gosto
não, não finjo

e isso só me torna
uma pessoa má.
talvez eu não esteja preparada
ou não seja suficientemente boa
pra ser tua.

segunda-feira, 7 de março de 2005

| my life and kids |

e tudo vem à tona
tudo se mostra
aquele imenso tudo querer entregar
tudo querer dividir
aquela nova coragem
vem comigo?

vem cá pra eu te contar uma coisa...
sssssshhhhhh
"cuta cuta
vovó deeeeeeteeeeeeeee..."

sexta-feira, 4 de março de 2005

na tentativa de mostrar o belo, o que apraz
jorram de mim os mais diversos sentimentos
diversos versos
crítica magoada
autopiedade desconstrutiva
abro o dicionário
google algo
pergunto ao oráculo maternal
nada é capaz de me dizer
ninguém é capaz de esclarecer
além de mim
que ando sem condições de esclarecer até a mais óbvia das histórias infantis.
será que algum dia eu me encontro?

quinta-feira, 3 de março de 2005

| sure |

.gata escaldada tem medo de água fria.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

| tapa de PM |

.uma maldita corrente me amarra nas lembranças.
.as boas são tão doces.
.as ruins são tão vivas.

.mas o pior de tudo mesmo.
.é ter lembranças boas.
.e descobrir que elas deveriam ter sido ruins.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

| over head |

.será que todas as pessoas tem a enorme vontade que me acompanha de em momentos específicos poder voltar no tempo?.
.voltar ao exato momento em que aquela pergunta saiu da boca.
.voltar ao exato momento em que agi de maneira irracional.
.voltar ao exato momento em que poderia ter sido completamente melhor.
.completamente perfeita.
.como sempre quis.
.mas que só pude me dar conta disso depois.
.mas será que se eu pudesse fazer isso.
.eu arriscaria fazer diferente?.
.e não saber como tudo estaria gora?.
.será que se eu fosse perfeita, eu seria perfeita?.

.escrevendo e pensando naquele filme.
.aquele mesmo.
.que já virou lugar comum.
.mas que fala muito de mim, de vc.

.sou feliz por ter ouvido aquela frase.
.sou feliz por te-lo comigo.
.aquele feio mentiroso.
.tanto que até dói.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

| tour |

.mesmo que lá fora.
.fora de mim mesma.
.sob os sóis de aspartame.
.haja algo verde e fresco pra se recostar. |
.dentro da epiderme leviana de cor caramelada.
.brotam espinhos e cogumelos.
.vindos de pequenas crateras.

.de insanidade e mofo mental. |
.olhando para cima.
.um azul tenta saltar.
.por sobre o cinza claro das lembranças falhas. |
.mas se vê recortado.
.o vôo mórbido da coruja.
.corta o céu de avelã. |
.aterriza na protuberância da nascente.
.a nascente do rio lágrima.
.aquele que nunca vai secar.|
.nunca.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

| dia de medo |

...deve ser muito legal me pregar peças...

.desde que nasci.
.essa coisa de acreditar.
.de fazer sentido.
.de não ter medo.
.de poder contar com alguém.
.isso tudo só pode ser brincadeira.
.mas quer saber?.
.não faz a menor graça.


sábado, 22 de janeiro de 2005

| diga |

.dizem que quem fala o que quer ouve o que não quer.
.maldita língua afiada!.
.maldita mania de achar que sou forte!.
.eu sou uma farsa!.
.porque me entrego...
.porque me deixo estremecer...
.porque acredito no que me dizem...
.porque tenho medo...
.porque me entrego...
.porque me entrego...
.porque me entrego...
(...)
.eu sou uma farsa?.
.porque me entrego?.
.porque me deixo estremecer?.
.porque acredito no que me dizem?.
.porque tenho medo?.
.porque me entrego?.
.porque me entrego?.
.porque me entrego?.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

| i'll be yours |

.não, não quero ser uma foto no teu quadro de lembranças.
.não, não quero ser uma caixa no teu armário.
.não, não quero ser uma mágoa na tua latinha de "não vamos tocar nesse assunto".
.não, não quero ser rasgada e jogada no lixo de Minas Gerais.
.quero apenas ser motivo dos teus mais profundos suspiros.
.apenas ser a responsável pelo mais valioso brilho dos teus olhos.
.apenas uma lembrança que se renova ainda mais real a cada dia.
.mais vigorosa.
.quero apenas ser muito amada.
.sem que para isso.
.eu precise te ferir.

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

| o segredo |

.e pra que é preciso fazer sentido?.
.porque é preciso explicar?.
.porque colocar pingos nos is?.
.se já não há mais nada além de preguiça.
.se ninguém mais se importa.
.se já se fecharam os olhos.
.e as maçanetas sequer se movem mais.

.não.
.meu nome é sentimento.
.muito prazer!.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

i wish | pre-birthday #.02

Aí alguém fica bravo e resolve me mandar delicadamente para a China...

E não é que eu iria?

Tomar chá, muito chá. Tomar agulhadas, muitas agulhadas.

Praticar Tai Chi nas praças cheias de velhinhos animados, visitar os templos, descobrir o segredo daqueles rostos de pele tão lisa e olhar tão sereno... Ser tocada por cegos, beber água da fonte, me medicar com chá verde, mas... ah não, cavalo marinho de novo não, obrigada! (uma vez na vida já deve ser suficiente não é mesmo?). Deixar meus pés serem massageados e principalmente andar de bicicleta com um cestinho na frente e um belo chapéu de abas.

Talvez os olhinhos fechados sejam o reflexo de que eles não precisam muito de ver para crer, nem de ter muito pra viver.

E hoje, era exatamente disto que eu precisava.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

| obstinação |

.eu desejo mesmo. desejo tantas coisas e tanto. que as vezes até me perco nos objetivos que se embaralham. sei que ando na idade de desejar menos e produzir mais. ou não ando?. provavelmente nunca haverá idade que me faça parar!. meus desejos não são propriamente sonhos. já que nem são tão grandes. são objetivos. se pensar assim fica mais acessível... "acessível" deve ser uma palavra madura. vejo as pessoas ditas sérias usando. meus desejos são meus, oras. e por isso sempre vão ser acessíveis. meus desejos me atravessam. assim como minhas pessoas. e quer saber?. é assim que sei fazer...

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

| o gosto |

.fatos reais.
.vida real.
.medo real.
.thank god.
.amor real.
.os outros personagens que me desculpem.
.mas a ex coadjuvante aqui vai rir por último.
.e ficar com o galã.
.pq simplesmente.
.eu juro.
.que desejo-o.
.sempre.
.muito.
.como nunca antes!.

.arroz com feijão e soja.
.alface.
.arroz com feijão e bife.
.se rolar um purê.
.melhor.
.isso eu sei fazer.
.fica comigo?.

domingo, 9 de janeiro de 2005

| hiketeia |

.menina que é menina.
.sorri.
.gargalha.
.e chora.
.mesma intensidade.
.mesma facilidade.
.menina que é menina.
.se deixa atravessar.
.se regozija.
.se gaba.
.sofre por antecedência.
.menina que é menina.
.não quer muito.
.mas sempre quer tudo.
.e muito.
.menina que é menina.
.quer ser amada.
.e saber disso.
.menina que é menina.
.às vezes.
.quase sempre.
.estraga tudo.

[ pretamoça . oscila . meninapreta . oscila . moçamenina . oscila . pretapreta . oscila . moçapreta . oscila . meninapreta . oscila . moça . moça . moça . menina . menina . moçaaaaaa . gggggggggrrrrrrrr ]



sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

| sweet |

.sempre começa.
.sempre acorda.
.sempre vicia.
.sempre me entorpe.
.você todo dia.
.mesmo que todo dia.
.seja sempre.
.só agora.

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

| play the game |

.47 do segundo tempo.
.e tudo pode ficar melhor.
.jogue o jogo menina.
.aqui começa agora.
.derrubou é penalti.
.ele é brasileiro, lembra?.
.te prepara.
.respira fundo.
.e pula.
.pode ser que dê um medo danado.
.mas tudo está perfeitamente bem.
.pra ti.
.sempre.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

| abstinência |

.muda.
.chata.
.muda.
.sem graça.
.mal humorada.
.e nem um pouco afim de falar.
.sem paciência pra ninguém.
.nem pra pensar.
.mal acostumada.
.mimada.
.e pirracenta.
.pq não quero ficar aqui assim.
.tá escuro.
.tá opaco.
.alguém tira esse grito aqui de dentro?.
.te quero.
.aqui.
.já.
...sem mais delongas...