quinta-feira, 28 de abril de 2005

| aquela de quem não falamos |

um grito que não saiu
assim é esse aperto aqui bem no meu do meu peito
e ele ficou tanto tempo guardado que agora esta misturado com muita dor
com muita mágoa, com muito medo
e então as vezes a pontinha disso tudo resolve burlar a parede da armadura
e nem todo choro do mundo me tira essa angústia
ela já virou aquele maldito medo
daquele maldito distúrbio
que me transformou em outra pessoa
que me transformou no que nunca quis ser...

quarta-feira, 20 de abril de 2005

| donamilú |

Sim, me falta mistério.
e se me falta mistério, me falta encanto?
e se me falta encanto, me falta admiração?
e se me falta admiração, me falta confiança?
e se me falta confiança, me falta amizade?
e se me falta amizade, me falta amor?

quantas vezes ainda vou me perguntar o motivo de não saber esconder nada?
eu não tenho algo só meu.
eu não tenho nada a esconder, nada a declarar.
As antigas jovens senhoras dizem que isso me torna desinteressante, me torna de fácil leitura e que consequentemente não me permite ter pessoas por muito tempo perto de mim...
E eu fico esquecida disso até que percebo o mistério de quem me cerca (como eles conseguem?) e aí me questiono o verdadeiro valor de ter algo a não dizer, mesmo que seja banal, mesmo que não seja nada, mesmo que não tenha explicação...

eu quero ser a Mulher Maravilha não é mesmo?
linda, inteligente e principalmente perfeita!
Pois até mesmo ela tem uma identidade secreta...
ou não tem?
Todo Super-Herói tem!
...
Mas quer saber?
quando eu descobrir
eu não vou contar!!!

quinta-feira, 14 de abril de 2005

570

Novos horizontes se abrem em frente à janela.
Ou será que é a janela que anda mudando de ares?
o tempo de espera, o tempo de semeio, o tempo de espera, o tempo de colheira, o tempo de espera, o tempo de semeio, o tempo de espera, o tempo...
Esse invisível enorme amigo odiado, sempre surge mostrando que pode ser o mais puro veneno que salva, em pequenas e grandes doses, quase tudo!
As cartas não mentiram.
É preciso jogar o jogo, apesar de ter receio dele.
É preciso sobreviver aos ciclos e não duvidar de sua força.
Os horizontes passam e já não somos mais os mesmos depois de sentir os ventos que eles trazem tocando o rosto...
e então não foi a janela que mudou de ares, mas o meu rosto que foi tocado de maneiras diferentes, abrindo e fechando ciclos, abrindo e fechando ciclos...

quinta-feira, 7 de abril de 2005

| tempero |

Bate um vento na minha janela com cheiro de manjericão fresco
todas as tardes, manjericão fresco no ar...
Dias cinzentos, dias chuvosos, dias ensolarados
o cheiro não se importa nem com meu estado de espírito:
janela adentro, nariz e um bem estar inexplicável.
Manjericão é a minha cara: se espalha com muita rapidez, gosta de sol, de água, de atenção, é pequeno, nem feio nem lindo, mas com cheiro e sabor marcantes, inconfundíveis.
E sem me importar com as previsões meteriológicas, ou se sou bem vinda ou não, sou capaz de chegar com uma rajada de vento e resolver te visitar todos os dias...
E te fazer descobrir que manjericão é delicioso!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2005

| andar com fé |

Andar sem palavras é normal para quem anda cheio de planos.
Os planos vagam entre a linha do racional e do emocional e por isso nem inteligência nem paixão são capazes de explicar bem...
Planos são sonhos no papel, vontade na veia, contas na cabeça.

Ando sem letras suficientes no meu teclado para explicar.
Por ser novo, por ser mais real do que jamais imaginei.
Mas ainda são planos.
E planos devem ser guardados, até se realizarem e vc poder soltar aquele grito entalado na garganta.